segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Insatisfação pretensora


Enquanto as paredes continuam intactas cantando o hino nacional pra quem gosta de ouvir,
eu fico observando meu reflexo no espelho e sonhando com aquele velho tempo onde
tudo parecia tão cinza e calmo pra mim, pra essa vida semi-certa que planejei a vinte anos atrás
e que hoje, não me cabe perfeitamente mais; semelhante a uma blusa que eu gostava e não gosto
mais; um alguém, um sentido, um suspiro, um sonho que se perdeu dentre tantos muros
de uma rua tão mal asfaltada chamada coração –rua de pedra, coração de pedra, armas de aço-
Então, me vejo voltando a andar em círculos buscando o passado como um rato que procura queijo,
Como um imbecil, idiota que ainda se importa com as migalhas jogadas ao chão;
Te conto meus segredos nas entrelinhas e ninguém vê.

Quando eu deito, sim, eu espero a luz se fechar sozinha
E ela nunca o faz, ela nunca ouve nunca me obedece,
me deixa parada olhando pro teto, com alucinações semelhantes a de um louco que vê seus filhos jogados nas ruas, sem comida, casa ou qualquer abrigo parecido, que remeta a ele um lar.

Sim, me tornei escrava da falta de expressão dos imbecis que giram
Ao redor do nada –
Eu sou o tic tac, sou o laço que prende a garganta, sou o ninguém que sonha em;
Chego a ser, chego a pensar
Esperando o dia certo, esperando a hora certa pra gritar, pra contar 
                           [minha insatisfação]


Veja meu querido, meu anjo, meu belo;
Não tem ninguém ali na rua pensando em você.
Não tem ninguém ali na rua pensando em mim.
Querido, tem algo além disso tudo e nós não poderemos ver.
Abrace-me, me beije em sonhos;
Assim seremos felizes com o filho que um dia sonhamos em ter.