Enquanto as
paredes continuam intactas cantando o hino nacional pra quem gosta de ouvir,
eu fico
observando meu reflexo no espelho e sonhando com aquele velho tempo onde
tudo parecia
tão cinza e calmo pra mim, pra essa vida semi-certa que planejei a vinte anos
atrás
e que hoje,
não me cabe perfeitamente mais; semelhante a uma blusa que eu gostava e não
gosto
mais; um
alguém, um sentido, um suspiro, um sonho que se perdeu dentre tantos muros
de uma rua
tão mal asfaltada chamada coração –rua de pedra, coração de pedra, armas de
aço-
Então, me
vejo voltando a andar em círculos buscando o passado como um rato que procura
queijo,
Como um
imbecil, idiota que ainda se importa com as migalhas jogadas ao chão;
Te conto
meus segredos nas entrelinhas e ninguém vê.
Quando eu
deito, sim, eu espero a luz se fechar sozinha
E ela nunca
o faz, ela nunca ouve nunca me obedece,
me deixa
parada olhando pro teto, com alucinações semelhantes a de um louco que vê seus
filhos jogados nas ruas, sem comida, casa ou qualquer abrigo parecido, que
remeta a ele um lar.
Sim, me
tornei escrava da falta de expressão dos imbecis que giram
Ao redor do
nada –
Eu sou o
tic tac, sou o laço que prende a garganta, sou o ninguém que sonha em;
Chego a ser, chego a pensar
Esperando o
dia certo, esperando a hora certa pra gritar, pra contar
[minha insatisfação]
Veja meu
querido, meu anjo, meu belo;
Não tem
ninguém ali na rua pensando em você.
Não tem
ninguém ali na rua pensando em mim.
Querido, tem
algo além disso tudo e nós não poderemos ver.
Abrace-me, me
beije em sonhos;
Assim
seremos felizes com o filho que um dia sonhamos em ter.