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| Foto: Heluana Nery |
Tão estranho é amar alguém. Namorar alguém. Viver alguém.
Tão estranho compartilhar a mesma cama por tanto tempo, desenvolver um jeito novo de dormir a dois.
Descobrir tudo sobre o jeito desse outro alguém. Saber pela forma de olhar e falar o que está acontecendo. Saber seus gostos, seus problemas, do que se orgulha ou tem medo.
Estar íntimo, estar perto.
Como é estranho como nos deixamos envolver.
Tão envolvidos que podemos estar longe, mas mesmo assim lembrar do cheiro, do gosto desse alguém.
O amor é estranho.
E é educado. Educado no começo, pois entra devagar e vai dominando o espaço lentamente. Ele preenche os vazios que o tempo vai causando na gente. Quando percebemos estamos cheios desse amor em partes fundamentais do nosso viver. Nos vemos conectados, amarrados, reféns. Nos vemos dominados, incapazes de fugir.
Uma vez me disseram que se não doer, é porque não é amor.
O amor dói. É como andar de pés descalços na grama, eventualmente haverão espinhos. Eventualmente vai doer, mas que isso nos torne mais fortes, e não incapazes de tirar os tênis de novo.
